Perguntas sem resposta

Já acordou de manhã e pensou: o que eu faço aqui?

Mais um acordar, mais um respirar de olhos abertos, mais uma vez a luz do dia brilha sobre um corpo que ainda não entendeu o que faz aqui.

Por mais que veja não consegue ver, por mais que ouça não consegue ouvir, por mais que fale não é compreendido. Sangue e ossos se movem sobre a terra na busca de um propósito, seja ele imediato ou futuro, mas nunca passado.

Passado que a cada segundo deixa para traz um momento que nunca mais será vivido, que jamais poderá repetir-se. Nesse momento as palavras anteriores já não existem mais e só a lembrança delas vive em nossas memórias.

Memórias que ora nos ajudam, ora nos alegram e em meu caso, mais me entristecem me atormentam, será que fiz boas escolhas, será que vivo o resultado dessas escolhas, por que não escolhi diferente, porque essas memórias não se vão? Parem de me atormentar, malditas!

Para que vivemos? Por quem vivemos? Para deixar um legado, para fazer a diferença, para ser odiado, para ser esquecido, para ser amado?

Será que fiz a diferença na vida de alguém? Será que sou tão odiado a ponto de não merecer ser feliz? Afinal o que é felicidade? Um momento simples onde se acredita ter encontrado o motivo de estar vivo, um sentimento tão tênue que quase não se percebe.

Ser feliz ou estar feliz? Talvez seja satisfação ou somente compreensão? O que é estar leve? O que é não ter peso nos ombros? Será que se pode ser ou estar feliz assim?

Por que todos buscam ser felizes, mas não pensam na felicidade de quem dizem amar? Será que se pode ser feliz através da felicidade de alguém? Se eu não for, sou egoísta, incompreensível ou mal? E será que existe alguém feliz com meu tormento?

Será que eles se fartam com minha angústia, será que eles riem da minha desgraça, será que trabalham para minha queda? Porque não me enfrentam de frente? Parem de sussurrar pelas minhas costas, eu posso ouvi-los e por mais que eu não demonstre força, para enfrenta-los as terei, não seria uma luta justa?

O que é justiça? Porque quem me faz rir, chora? Porque choro quando faço alguém sorrir? Porque quem cai me levanta? Porque caio para levantar alguém? Será que a balança está estragada? Será que tudo que se tem é maldade e desespero? Onde está a esperança, onde está a fé?

Se penso logo existo, não é o que disse aquele que filosofava sobre a existência? Mas se isso de fato for verdade, não quero existir, pois pensar tem me enlouquecido. Seria um louco vivo ou morto? Lutar para se viver seria se manter pensando até que se deixe de querer pensar e assim morrer?

Se eu não existir, algo vai mudar? O relógio vai parar ou continuar funcionando, o tempo parará para que eu consiga entender o que eu vivi? Porque tantas perguntas e tão poucas respostas? Será que é porque não as ouço ou não as compreendo? Se eu as compreender serei mais feliz ou mais louco?

Se a esperança existe, porque não há sinto? Será que já foi toda gasta? Será que tenho que esperar mais? Quanto tempo? Vou ter esse tempo? O tempo existe na verdade? Porque parece que o tempo não gosta de mim? Porque ele corre quando estou feliz e se atrasa durante minha angústia? Maldito tempo que brinca comigo como se eu fosse uma criança, me usando para seus fins sórdidos, se aproveitando de minha inocência e falta de malícia.

As vezes sinto que nada posso fazer, que tudo acontecerá e eu assistirei atônito, sem ação, sem reação. Isso me deixa mais angustiado, será que sou mesmo dono de minhas ações? Porque existe arrependimento? Porque se arrepender de algo bom? Porque não se arrepender de algo ruim? Mas foi ruim para mim ou para você? Devo me arrepender? Porque?

Será que a loucura já está me chamando? Dizem que loucos são aqueles que não enxergam a realidade ou não vivem nela. Será que fazem isso por escolha? Se não for, quem os tirou da realidade? Estamos mesmo na realidade certa? Não seriamos nós os, de fato, loucos?

Porque é tão difícil conter nossos desejos? Porque é tão fácil ser escravo do desejo e tão difícil ter as rédeas de nossas próprias vidas? Será que acordo para buscar o que desejo ou o desejo me acorda para busca-lo?

Já acordou de manhã e pensou: o que eu faço aqui?

 

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