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Mostrando postagens de março, 2022

A Alegria do Saber

A Alegria e o Saber, nunca juntos hão de viver A Alegria não sabe o momento certo de dizer Que tudo passa, basta deixar acontecer Se ela soubesse, o que seria do Saber? O Saber não nasce crescido é preciso crescer Nada mais obvio que ver para crer Enquanto a Alegria se vai entra o Saber Mas tudo que se sabe nem tão alegre há de ser Para que um exista o outro deve dizer Que seja tu o que agora deve ser Para que a alma não se afogue no Saber E nem se iluda na Alegria de viver. Dizia o sábio, que sempre alegre não há de ser E a sabedoria a alegria pode conter Fazendo assim ao outro enriquecer O que seria da Alegria se não tivesse o Saber?

O passarinho e o vento

O passarinho cantava na gaiola. Que belo canto tem o passarinho, dizia aquela que na gaiola o mantinha. Mas ele canta para que ela se alegre — e não sinta a dor, nem a solidão que ele sente. Cai a chuva, e o passarinho canta. Canta seus tormentos, joga-os aos ventos. — Ouça-me! Não está me vendo? — grita o passarinho por todo o tempo. Quanto mais o tempo passa, mais larga fica a gaiola. Já não se pode ouvir seu lamento: o passarinho se entregou. Entregou-se ao tormento. Já não se ouve mais seu canto. Sobra só o silêncio — fazendo com que, enfim, se sinta a tristeza que ele trazia por dentro. Não desanime, passarinho. Ainda chegará o tempo em que, livre, sentirá o calor do vento. Na alma, ou no coração — mesmo que tarde, ainda estará valendo.