O Silêncio Ensurdecedor
Ao abrir os olhos, deparo-me com um incômodo — uma sensação de espanto, um misto de tristeza e raiva. Meus pensamentos gritam alto e ecoam dentro da minha mente quebrada. As paredes que antes os impediam de sair agora estão em pedaços, esfareladas em meio ao caos que se tornou a minha visão. Antes, o barulho me guiava, mostrava para onde meus passos deveriam seguir. As paredes, que antes ricocheteavam os ventos vindos das profundezas da minha alma, agora nada fazem, nada adiantam. Nada... nada... Levanto-me em meio à escuridão, tentando fugir das vozes que me assolam e me perseguem. Tento, desesperadamente, reconstruir as paredes caídas, num esforço que se revela em vão. Toco meu rosto na esperança de sentir algo familiar, mas a única coisa que percebo é o frio da lágrima que sempre me acompanha. Ela se esconde sempre que alguém está por perto — tímida, pequena. Às vezes penso que me deixou. Mas a solidão a chama, o cansaço lhe dá forças, e a tristeza abre o caminho para que ela me aco...