O passarinho e o vento
O passarinho cantava na gaiola.
Que belo canto tem o passarinho,
dizia aquela que na gaiola o mantinha.
Mas ele canta
para que ela se alegre —
e não sinta a dor,
nem a solidão
que ele sente.
Cai a chuva,
e o passarinho canta.
Canta seus tormentos,
joga-os aos ventos.
— Ouça-me!
Não está me vendo? —
grita o passarinho
por todo o tempo.
Quanto mais o tempo passa,
mais larga fica a gaiola.
Já não se pode ouvir seu lamento:
o passarinho se entregou.
Entregou-se ao tormento.
Já não se ouve mais seu canto.
Sobra só o silêncio —
fazendo com que, enfim,
se sinta a tristeza
que ele trazia por dentro.
Não desanime, passarinho.
Ainda chegará o tempo
em que, livre,
sentirá o calor do vento.
Na alma, ou no coração —
mesmo que tarde,
ainda
estará valendo.
Comentários
Postar um comentário